
Japão: 45 anos de uma aventura educativa
Na parte ocidental do Japão, entre Osaka e Kobe, encontra-se a cidade de Ashiya. Ali nasceu a primeira obra corporativa do Opus Dei no país: o Seido Language Institute.
05 de junho de 2005
Seido, que em japonês quer dizer “Caminho do espírito” ou também “Caminho da virtude”, teve como primeira sede uma casa tipicamente japonesa, com portas de papel e cômodos de soalho de tatami, formado com palhas de juncos trançadas. Na porta de entrada podia-se ler uma placa que dizia “Academia Seido”, Seido Juku no idioma nipônico. Ao fim de poucos anos, os alunos matriculados eram 200 e foi necessário construir uma nova sede com capacidade para quase 600 estudantes. Esta nova sede foi inaugurada no outono de 1962 e teve como primeiro nome Seido Language Institute, em inglês, e Seido Gaikokugo Kenkyusho, em japonês.
Desde suas origens, o Instituto Seido Juku teve um caráter marcadamente solidário. Tinha um especial afã de servir a sociedade japonesa e isso estava presente no ânimo dos primeiros membros do Opus Dei que chegaram à terra do Sol Nascente. Quando decidiram colocar em marcha os planos para sediar o Instituto Seido, sabiam que se tratava de uma iniciativa educacional que resolveria o problema de muitas pessoas. Com efeito, o Japão se encontrava então em plena expansão comercial e num novo contexto sócio- econômico, onde o conhecimento de idiomas era algo vital para um povo que não podia usar sua própria língua e escrita para comunicar-se com as outras nações. “Quando nos propomos a estudar inglês”, comenta Akihiro, antigo aluno do Seido Language Institute, “nós, japoneses, normalmente temos problemas com o vocabulário: se há alguma correspondência entre os dois idiomas, é pura casualidade. A isso se une que a gramática é muito diferente. Ou seja, é uma tarefa árdua aprender este idioma”. De fato, pensando que seria útil abrir um instituto de idiomas, colocaram mãos à obra. Começaram a formar professores e procuraram que todos eles se especializassem nos métodos mais avançados de ensino de línguas.
Com a experiência adquirida em alguns anos, a direção do Instituto Seido decidiu empreender uma tarefa audaz e revolucionária: preparar um sistema próprio de ensino de idiomas. O objetivo era alcançar um método completo e adequado às características da língua japonesa. “Como premissa daquele esforço inicial”, recorda David Sell, um veterano de Seido e catedrático de Lingüística, “apareceu um livrinho de poucas páginas intitulado ‘Pronunciation Drills for Japanese Speakers’, que com o tempo foi aumentando de tamanho até converter-se no atual ‘Pronunciation Manual’, que superou com vantagem um milhão de exemplares vendidos”. De todo modo, o dado mais eloqüente do êxito daquela idéia intrépida é o número de escolas e universidades que utilizam o Seido System. Hoje, são mais de 600.
Na elaboração do Seido System, os professores do Instituto Seido dedicaram muito tempo e não poucos esforços. Como é habitual quando se começa um projeto sem meios econômicos e materiais, não faltaram dificuldades de todos os tipos: econômicas, materiais, etc. Entre os obstáculos que teve de superar, um dos mais divertidos foi o das primeiras gravações. Alguns professores, de fato, decidiram gravar em fitas cassete para que os alunos pudessem aprender a pronunciar melhor o inglês. Mas a idéia, se era conveniente para os objetivos didáticos, não era facilmente realizável. “Naquele tempo não dispúnhamos dos modernos equipamentos de agora. Para evitar que se gravassem ruídos externos, decidimos esperar a noite para poder gravar, no silêncio da escuridão, as fitas que serviriam como modelo”, lembra o professor Sell.
Em 1971, o Instituto de Idiomas passou a fazer parte de uma nova organização de caráter educativo denominada “Seido Foundation for the Advancement of Education”, uma associação de interesse público reconhecida pelo governo da província de Hyogo. A Fundação incluía também uma editora e o Okuashiya Study Center, centro educativo destinado à organização de seminários, simpósios e convivências, não somente para professores e alunos de Seido: nascia também um centro aberto a outras escolas e universidades. No mesmo ano levou-se a cabo a construção de um novo edifício de quatro andares, com 14 salas e um laboratório de idiomas com 70 lugares, que é a sede atual do Seido Language Institute.
Com o tempo, a Seido Foundation promoveu em várias partes do país outras iniciativas educacionais. Uma das principais é a Seido Gakuen, entidade jurídica que ergueu vários colégios de ensino primário e de ensino médio na província de Nagasaki. Graças à experiência do Instituto Seido, estes colégios se converteram em pioneiros do ensino de inglês para crianças. Um destes colégios, Seido Mikawadai, abriu suas portas em 1981. Inicialmente contava com 5 professores e umas cem crianças distribuídas em 4 cursos. Atualmente, os alunos são cerca de 300 e os professores são vinte. Entre os objetivos educativos da Fundação Seido, destaca-se o papel primordial conferido aos pais têm na tarefa educacional dos filhos. Não somente os pais de Mikawadai, mas também dos demais colégios, têm correspondido com grande generosidade: uns economicamente; outros dedicando tempo para ajudar na manutenção dos edifícios; um bom número deles colaborando nas diversas atividades extra-curriculares. O Open School, por exemplo, seria como que o símbolo deste espírito de colaboração entre pais e professores. Este dia de “portas abertas” celebra-se em um domingo de primavera e em outro no outono, e é um dia em que acodem ao colégio praticamente todos os pais. Trata-se de um dia especial, de unidade e de agradecimento recíprocos, onde os pais podem, entre outras coisas, entrar nas salas durante as aulas e ver como estudam seus filhos.
A qualidade do programa elaborado pelo Instituto Seido foi reconhecida oficialmente pelo Governo japonês nos anos 90, quando Seido Language Institute, junto a outras instituições educativas de reconhecido prestigio, foi convidado a fazer parte da “Japan Association for the Language Education”, associação que promove, sobre os auspícios do Ministério da Educação, os “standars” educativos e o nível pedagógico dos institutos e escolas de línguas. No entanto, a maior alegria de Seido, o melhor prêmio que recebeu nestes 45 anos de trabalho no Japão, foi, sem dúvida, o número de alunos e amigos que encontraram a fé através do testemunho cristão do corpo docente.
Kiyoyuki Fuwa, que conheceu Seido no fim dos anos 60, pouco antes de terminar sua graduação universitária, é só uma de várias histórias. “Surpreendi-me gratamente com o ambiente de estudo e de simplicidade que encontrei no trato”, relata Kiyoyuki, “e sobretudo a alegria que reinava nessa casa. Era tão agradável estar ali que no ano seguinte solicitei uma vaga e me matriculei também no curso de inglês. Além dos idiomas, ia aprendendo outras coisas que mudaram por completo o rumo da minha vida. Atraído pelo exemplo dos professores, interessei-me pela religião que eles praticavam e me dei conta que era esta a causa de tanta alegria que via neles. Decidi estudar o Catecismo e mais tarde recebi o dom da fé”. A história de Kiyoyuki é uma das primeiras de uma série de encontros com a fé através de Seido. Uma das últimas é a de Suzuki, estudante em Ashiya, que, junto com um grupo de amigos, começou há alguns meses o estudo do Catecismo da Igreja Católica.
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09 de fevereiro de 2010

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