São Nicolau de Bari, intercessor nas necessidades econômicas do Opus Dei

No dia 6 de dezembro de 1934, São Josemaria Escrivá nomeou são Nicolau de Bari intercessor do Opus Dei. Este artigo explica as circunstâncias da nomeação, bem como os antecedentes da sua devoção ao santo bispo de Myra e as manifestações desta devoção posteriores à data indicada.

Opus Dei - São Nicolau de Bari, intercessor nas necessidades econômicas do Opus Dei

Fazendo referência ao mês de dezembro de 1934, são Josemaria Escrivá anotou nos seus Apontamentos íntimos: “No dia de São Nicolau de Bari prometi ao Santo Bispo, no momento em que subia ao altar para dizer a Missa, que, se a nossa situação econômica na Casa do Anjo da Guarda se resolver, o nomearei Administrador da Obra de Deus”[1]. Imediatamente – glosará Álvaro del Portillo – “pensando que tinha sido pouca a sua generosidade, acrescentou: “E mesmo que agora não me ouças, serás o Padroeiro da nossa administração econômica”[2].

Esta nomeação de são Nicolau ficou resenhada no Diário da Academia DYA: “São Nicolau de Bari, Bispo. O Padre disse que, de manhã, ao terminar de dar a S. Comunhão, no seu convento, vendo que o santo de hoje é São Nicolau, dirigiu-se a ele e o colocou como advogado nosso para a parte administrativa, para que, através dele, vamos para em frente neste assunto[3]. Ficou combinado que em todas nossas futuras casas haverá uma imagem de São Nicolau no quarto do administrador ou quarto de administração. Vamos ver como se comporta este advogado!”[4].

No dia 19 de janeiro de 1935 em carta endereçada ao seu querido amigo, sacerdote, Heliodoro Gil, informava-lhe: “Sabe que São Nicolau de Bari é... nada menos que o Administrador Geral da Obra de Deus? Que peso lhe caiu em cima!”[5].

Muitos anos depois, em 1968, São Josemaria recordaria a nomeação: “Um dia eu estava no Patronato Real de Santa Isabel, do qual eu era Reitor[6]: praticamente todos os reitores de lá costumavam alcançar grandes cargos eclesiásticos. Ia celebrar a Missa, e tinha problemas econômicos terríveis. Disse: como São Nicolau é o santo das dificuldades econômicas, e o santo de casar as incasáveis... se você me tirar disto, nomeio-o padroeiro! Porém, antes de subir ao altar, arrependi-me e acrescentei: e se não me tirar disso, nomeio-o igualmente. O problema econômico era grande; materialmente talvez fosse pouco; porém devia ser o que hoje seriam bastantes milhões”[7].

Com independência de que nos textos citados seja chamado indistintamente de “padroeiro”, “advogado” e “administrador”, na terminologia definitiva são Nicolau será um dos santos intercessores do Opus Dei: o primeiro cronologicamente, pois os outros – São Pio X, São João Batista Maria Vianney, São Thomas More e Santa Catarina de Sena – seriam designados como tais posteriormente, a partir dos anos cinquenta. Os santos intercessores não constituem propriamente modelos para os fiéis da prelazia, mas protetores aos quais se confiam campos específicos: concretamente, a são Nicolau são confiadas as necessidades econômicas que se apresentam ao empreender, sustentar e desenvolver os apostolados que os fiéis do Opus Dei desenvolvem.

Como é bem sabido, a esse tipo de assuntos – financeiros – pertence uma boa parte das intervenções que são Nicolau[8] protagonizou durante sua vida. Embora se trate de um santo muito milagroso, os episódios mais conhecidos da sua biografia não correspondem a milagres, mas a gestões realizadas habilmente: para impedir que um pai com dificuldades econômicas prostituísse as suas três filhas, o santo bispo enviou-lhes o dinheiro suficiente para os dotes de todas elas; com sua autoridade moral conseguiu, em época de fome, persuadir o capitão de um navio carregado de trigo com destino a Constantinopla a deixar parte da mercadoria em Myra; e soube negociar, satisfatoriamente, com o imperador uma redução de impostos em benefício dos seus fiéis.

O objetivo destas páginas é oferecer o contexto histórico das circunstâncias em que foi realizada a nomeação do santo como intercessor; os antecedentes e a continuidade da devoção de são Josemaria.

Antecedentes

No dia 9 de fevereiro de 1975, na casa de retiros de Altoclaro (Caracas, Venezuela) formularam a São Josemaria uma pergunta sobre os problemas econômicos que costumam levar consigo todas as iniciativas de caráter apostólico. Respondeu fazendo referência à primeira ocasião em que recorreu ao bispo de Myra:

Em Madri, na Praça de Antón Martín, encontra-se a paróquia de são Nicolau. Lá foi a primeira vez em que eu invoquei a são Nicolau para dar-lhe uma facada[9]. E continuo pedindo, mas continuo tranquilo e sereno. O Senhor abençoará os seus trabalhos pessoais e, além disso, os tirará dos apertos econômicos que têm nas obras de apostolado. Fica tranquilo: eu nunca vi um fracasso por esse motivo, quando há amor de Deus. Por isso, para frente![10].

Foi em uma das últimas ocasiões, meses antes de falecer, que são Josemaria fez referência publicamente a são Nicolau.

A paróquia madrilena que menciona é a predecessora da que atualmente continua sendo denominada de El Salvador y San Nicolás[11]. Desde 1891 estava localizada na que foi igreja do antigo Hospital de Nuestra Señora del Amor de Dios, fundado em 1552 pelo venerável Antón Martín, discípulo e sucessor de São João de Deus, na praça – chamada precisamente de Antón Martín – onde hoje confluem a rua do Amor de Deus e a de Atocha[12]. O edifício do templo onde são Josemaria deu sua facada era muito posterior à fundação do hospital: datava, concretamente, de 1798. Foi queimado no começo da guerra civil espanhola[13]. Não se sabe com exatidão nem a data nem o motivo daquele primeiro recurso ao santo.

Para esboçar alguma conjetura, cabe anotar que, desde maio de 1931, são Josemaria morava com a sua família em uma casa da Rua Viriato número 22, propriedade das Damas Apostólicas, com cujo Patronato de Enfermos colaborava sacerdotalmente há vários anos. Essa assistência durou até fins de outubro daquele ano[14]. No mês anterior começou a frequentar o bairro em que se encontra a Praça de Antón Martín. Com efeito, no dia 21 de setembro celebrou a Missa pela primeira vez na igreja do Patronato de Santa Isabel. A partir desta data, e até ser nomeado reitor no final de 1934, atuou como capelão efetivo do Patronato. O percurso a pé de Santa Isabel à paróquia de El Salvador y San Nicolás demora somente cinco minutos, e não parece arriscado supor que a visitasse com certa frequência. De fato, não lhe faltavam motivos para recorrer ao santo bispo[15].

Uma dessas ocasiões pôde estar relacionada com o aluguel de um apartamento, no dia 9 de dezembro de 1932. A casa da Rua Viriato, onde moravam até então os Escrivá, era muito pequena. Tanto, que são Josemaria não podia reunir lá os jovens que iam se incorporando ao Opus Dei, nem outros muitos que dirigia espiritualmente. Por isso, se mudou, com a sua família, à Rua General Martínez Campos, número 4 (principal esquerda). Para alugar esse apartamento teve que conseguir um crédito. As 115 pesetas mensais eram um aluguel provavelmente justo, mas inexorável: segundo o contrato, um atraso de quatro dias no pagamento era causa suficiente para requerer o despejo. Tudo isso deve ter sido a ocasião para visitar a paróquia de El Salvador y San Nicolás.

Algo parecido, mas em maior escala, aconteceu um ano depois. Em dezembro de 1933 são Josemaria alugava outro local na Rua Luchana, número 33 (hoje 29), sobreloja, esquina com a Rua Juan de Áustria, onde instalou a Academia DYA[16], que foi abençoada em 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição. As iniciais coincidiam com as matérias que se estudavam lá: Direito e Arquitetura. Mas tratava-se principalmente de um centro cultural e de formação cristã. Para estabelecê-lo legalmente, foi necessário gastar nos direitos fiscais, por licença de abertura, todo o dinheiro disponível. Por outra parte, as contribuições dos estudantes que frequentavam DYA não chegavam a cobrir o aluguel mensal. Já o simples pagamento da conta de luz supunha uma autêntica dor de cabeça. Por carecer, careciam inclusive do dinheiro suficiente para comprar um elementar relógio de parede. De fato, pagamentos mais urgentes fizeram desaparecer, várias vezes, as doações recebidas para sua aquisição (finalmente recebeu como presente, não o valor, mas o próprio relógio). Assim, pois, sobravam razões para “esfaquear” são Nicolau[17].

No meio de todas essas dificuldades, sem ter passado um mês desde a inauguração de DYA (e quando alguns amigos sacerdotes lhe aconselhavam vivamente que a fechasse por considerá-la insustentável) no dia 5 de janeiro de 1934 são Josemaria propôs aos membros da Obra a conveniência de procurar um lugar maior, para estabelecer nele, além da academia, uma residência de estudantes: isto permitiria instalar um oratório, com sacrário, no qual ficasse reservado o Santíssimo Sacramento[18].

Para resolver os problemas, são Josemaria, além de rezar, colocava todos os meios humanos ao seu alcance. Assim, com data de 26 de janeiro apresentava uma solicitação ao Ministério do Trabalho – do qual dependia administrativamente o Patronato de Santa Isabel – para utilizar a moradia do capelão, o que suporia certo alívio econômico[19]. Afinal, Josemaria Escrivá vinha desempenhando de fato essa capelânia desde 1931. Cinco dias depois, em 31 de janeiro, a Direção geral correspondente respondeu em termos afirmativos. Mas uma série de circunstâncias[20] adiou até o fim do verão a mudança dos Escrivá a Santa Isabel[21].

A princípios de agosto, são Josemaria e os jovens que frequentavam os meios de formação espiritual do fundador procuravam casas ou apartamentos livres por todo Madri. Por fim acharam três apartamentos grandes e bem situados, na Rua Ferraz número 50, onde poderiam estabelecer a academia e a residência de estudantes. O problema era que para assinar o contrato de aluguel, eram indispensáveis 25.000 pesetas como fiança e entrada. Parecia que o obstáculo estava sendo superado, porém no dia 6 de setembro faltavam ainda 15.000 pesetas que não sabiam de onde tirar. Poucas semanas depois, a mãe do Fundador, de acordo com os seus outros dois filhos, pôs à disposição de São Josemaria a herança de Teodoro Escrivá, um tio sacerdote falecido em Fonz (Huesca)[22].

A relação entre este episódio e a invocação a são Nicolau é também puramente conjetural, mas a peripécia muito bem poderia se encaixar entre as “facadas” ao santo. As coisas se sucederam como segue.

A 16 de setembro, o padre Josemaria saiu de Madri para Fonz, onde se encontravam a sua mãe e os seus irmãos, com o fim de proceder à venda das propriedades rurais que receberam como herança após morte, no ano anterior, do padre Teodoro (...). Passou a noite em Monzón e no dia seguinte, já em Fonz, pensou que tinha chegado, por fim, o momento de expor à família o problema econômico e falar-lhes da Obra[23].

Uns dias depois escrevia: “Imediatamente os três acharam natural que se empregasse o seu dinheiro na Obra. E isso – glória a Deus! – com tanta generosidade que, se tivessem milhões, os dariam da mesma forma”[24]. Nessa mesma carta relatava minuciosamente aos membros do Opus Dei de Madri:

Seguindo uma ordem cronológica, quero contar-vos brevemente todas as minhas andanças. Vereis: quinze minutos depois de ter chegado a esta terra (escrevo em Fonz, embora vá pôr esta carta no correio, amanhã em Barbastro), falei da Obra à minha mãe e aos meus irmãos, de modo geral. Quanto tinha importunado para este instante, aos nossos amigos do Céu! Jesus fez com que lhes caísse muito bem. Dir-vos-ei, à letra, o que me responderam. A minha Mãe: “está bem, filho: mas não te fustigues nem me andes com má cara”. A minha irmã: “eu já imaginava, e tinha-o dito a mamãe”. O pequeno: “se tu tens filhos... os rapazes devem me respeitar, porque eu sou... o tio deles!” (...).

Vamos falar desse esterco do diabo que é o dinheiro: a minha mãe pensava que poderia conseguir 35 ou 40.000 pesetas (...).

Em resumo: amanhã desço a Barbastro com Guitín (seu irmão Santiago) – dali irei a Monzón para vos telefonar, porque em Barbastro se fica sabendo de tudo – e o Sr. Juiz prometeu-me que no dia 1º de outubro se conclui toda a papelada, graças a Deus.

Naturalmente, procurarei que de faça a venda na próxima terça ou quarta-feira – antes, impossível – e transferir-se-á o produto (...).

Neste meio tempo, porque não procurais comprar móveis, a pagar em 30 dias ou mais, como se faz correntemente com as fábricas?

É claro que eu não me mexo de aqui sem o dinheiro custe o que custar!

Outra coisa: estão de acordo em que passe a dormir na Academia e leve para lá todos os trastes do meu quarto. Assim levam a criada que têm aqui, que de outro modo não poderiam levar, por não terem quarto[25].

Como ficou dito, não há constância de que são Nicolau interviesse no referido episódio. Porém serve para conhecer o tipo de circunstâncias que, em menos de três meses levarão à sua nomeação.

Seja como for, com a ajuda econômica da família preencheu-se o “buraco” pendente, foi mobiliado o mínimo necessário da residência e foram comprados os utensílios de cozinha e baixela. O próprio São Josemaria lembrará muitos anos depois:

Tínhamos roupa branca, que uns grandes armazéns me haviam fornecido[26] a crédito, para pagar quando pudesse. E não tínhamos armários para guardá-la. Tínhamos estendido no chão, com muito cuidado, uns papéis de jornal, e por cima a roupa: quantidades imensas (...). Trouxe da Reitoria de Santa Isabel uma caldeirinha com água benta e um hissope. A minha irmã Carmen tinha-me feito um roquete esplêndido (...). Também trouxe de Santa Isabel uma estola e um ritual, e fui benzendo a casa vazia: com uma solenidade e alegria, com uma segurança![27].

Por um corte na eletricidade, a bênção teve que ser feita à luz de vela. Os quartos somente seriam instalados na medida em que os residentes se incorporassem. Mas os residentes não chegavam. E esta difícil situação proporcionou o detonador para a nomeação de são Nicolau.

No dia 5 de outubro de 1934, como reação à entrada no governo da direita (vencedora na última eleição), estalava na Espanha a chamada Revolução de Outubro. Embora fosse particularmente violenta nas Astúrias, em Madri também houve greves gerais, com o conseguinte atraso no início do curso universitário. No fim do mês, em DYA havia um único residente fixo; depois se incorporou um segundo. Somente a conta-gotas foram chegando alguns outros. Não havia dinheiro para contratar empregados, e, enquanto os rapazes assistiam às suas aulas na universidade, são Josemaria em pessoa esfregava o chão e arrumava as camas. Mas, desde setembro, o dia 10 de cada mês constituía uma verdadeira agonia: nessa data tinham de ser pagas as 1.200 pesetas do aluguel. Foram pagando como podiam. No dia 10 de novembro conseguiram reunir a quantidade necessária para pagar o aluguel mensal da casa. Porém quando se aproximava o dia 10 de dezembro, o horizonte parecia verdadeiramente negro.

Nesse contexto, no dia 6 de dezembro de 1934 o bispo de Myra foi constituído santo intercessor do Opus Dei.

Tumba de São Nicolau de Bari

Depois da nomeação

Como vemos, as circunstâncias não eram fáceis. Mas mesmo nesses momentos são Josemaria conservava o bom humor.

Assim, no dia 3 de janeiro de 1935 preencheu a mão, em nome de são Nicolau, um impresso de inscrição na Academia (também residência) DYA. Conserva-se a versão original do documento[28].

Como nome e sobrenome, aparece “São Nicolau de Bari (bispo de Myra). Natural de Pátara de Lícia”. Embora riscadas do formulário as palavras “província de”, aparece “(Ásia Menor)”. Como data de nascimento, se indica “ano 270”. E se diz que celebra seu onomástico “no dia 6 de dezembro”. Sua residência é a Glória; e o telefone, “a oração”. De profissão: “Bispo”. Títulos oficiais e privados: “Bispo de Myra, Administrador Geral da Obra de Deus”. Idiomas que traduz: “todos perfeitamente”. Com relação a conhecimentos – culturais, artísticos, esportivos, etc. – que possui, resumem-se em uma palavra: “Deus”. Também são resumidas as associações a que pertence: “O. de D.” (Obra de Deus). Isto coincide com a sua “ocupação atual”: “Administrar a O. de D.” (Obra de Deus). Assina a ficha: “Escrivá” (que o faz “P.O.?” isto é, por ou por delegação). No verso há um espaço para “Observações”, onde são Josemaria anotou: “Apresentado por José Maria Escrivá”. A seguir faz um resumo biográfico do santo: “São Nicolau padeceu perseguição sob os imperadores Diocleciano e Maximiano, que o desterraram. Tornou à sua sede episcopal por mandato de Constantino. Participou do Concílio de Niceia. O seu corpo se conserva, com grande veneração, em Bari (Itália), para onde foi transferido no ano 1087”.

O documento era, simplesmente, um modo divertido para deixar constância escrita da nomeação efetuada poucas semanas antes.

O titulo de intercessor implica, no caso de São Nicolau, entre outras coisas, que em todos os centros do Opus Dei se recordará cada ano a festa do santo bispo com certo destaque, de quem haverá – em lugar conveniente e digno – uma imagem com a invocação “Sancte Nicoläe: curam domus age” (São Nicolau, cuida da casa).

Em 1939, recém-terminada a guerra espanhola, quando a moradia do reitor de Santa Isabel era o único lugar disponível para o trabalho apostólico do Opus Dei, uma das primeiras coisas que são Josemaria conseguiu foi, precisamente, um quadro de são Nicolau[29]. A este seguiram outros, para os novos centros que se inauguravam. Para o que foi aberto em outubro de 1940, na Rua Diego de León, número 14, Escrivá comprou pessoalmente um busto-relicário do Santo que, depois das reformas e remodelações do imóvel, ainda permanece no hall de entrada.

Naquele mesmo ano (1939), são Josemaria confiou algumas responsabilidades aos membros mais antigos do Opus Dei. Das questões econômicas – contabilidade, instalações, etc. – encarregou o mais velho, Isidoro Zorzano, que conhecia muito bem qual era a tarefa de são Nicolau na Obra[30]. Por isso, ao começar diariamente a batalha com as contas, beijava o crucifixo, colocava-o em cima da mesa, e invocava a proteção do santo myrenense.

Aos jovens secretários dos centros recém-abertos, Isidoro explicava o modo de acertar as contas: mantê-las atualizadas. Também os tranquilizava se, ao reunir-se com eles, percebia que estavam preocupados porque os números não batiam. Em certa ocasião descobriu o truque de um contador inexperiente para equilibrar os cálculos: o rapaz guardava em um envelope as poucas pesetas que sobravam alguns meses, a fim de compensar com elas quando faltasse alguma. Deste modo, tudo sempre estava certo até o último centavo. O que mais divertiu a Zorzano foi saber o nome que o rapaz dava à sua reserva liquida: o fundo de são Nicolau!

Zorzano costumava brincar sobre se são Nicolau tinha ou não barba, porque é representado de ambas as formas nas diferentes imagens. No ano de 1943, no seu leito de morte, comentará brincalhão: “Uma das primeiras coisas que eu farei assim que chegar (ao Céu) é fazer que me apresentem a são Nicolau (...). Agora vou saber como é o seu rosto!”. “Deve estar – dizia – bravo com Fernando (Delapuente)”, que umas vezes o pintava com barba e outras sem ela. Depois de tirar as dúvidas, “terei que explicar muitas coisas a são Nicolau... ele não sabe comprar talheres com vinte por cento de desconto”, comentava fazendo referência à compra que, segundo lhe disseram, fora feita esse mesmo dia. Haverá que informar ao santo bispo de algumas coisas, dificuldades econômicas da Obra, das que “parece ser que não quis ficar sabendo”. Quando chegasse ao Céu – insistia-, “o primeiro que farei é encontrar-me com são Nicolau... penso que ele não entendeu totalmente o problema. Dir-lhe-ei que nós não queremos nada”, pois somente pedimos meios para servir às almas[31].

Anos depois, em 1946, são Josemaria viajou a Roma pela primeira vez. Com temporadas de residência na Espanha e estadias em outros lugares, permaneceria ali até a sua morte, no ano de 1975. Em abril de 1947 foi assinada a compra em Roma de um edifício – Villa Tevere – como sede central do Opus Dei. Durante anos foi preciso hospedar também lá, provisoriamente, um centro de formação: o Colégio Romano da Santa Cruz, erigido no dia 29 de junho de 1948. As obras de adaptação, ampliação, etc., que não acabariam até 1960, supuseram uma verdadeira epopeia econômica para Josemaria Escrivá e Álvaro del Portillo: o vencimento de letras ou créditos, o pagamento dos fornecedores e o salário semanal dos operários constituíam um autêntico tormento[32].

Nestas circunstâncias, o fundador do Opus Dei decidiu peregrinar a Bari para “comprometer”, mais uma vez, a São Nicolau. Recém-curado da diabete que sofreu durante anos, em julho de 1954 fez – acompanhado por Álvaro del Portillo – uma viagem relâmpago à sepultura do Santo. “O Padre disse que amanhã viajam ele e D. Álvaro a Bari para dizer a Santa Missa no sepulcro de são Nicolau”[33].

O carro, dirigido por Armando Serrano, partiu de Roma no dia 6 de julho, para regressar – via Nápoles – no dia seguinte. Tinham reservado um quarto no Grande Albergo delle Nazioni para passar a noite. Depois de cinquenta anos, Mons. Javier Echevarría, comentará, que “estávamos com a corda no pescoço. Não podíamos nem respirar, porque nos sufocávamos... Fez a viagem para rezar diante do seu túmulo (...) e pedir-lhe que nos ajudasse a cobrir os gastos que precisávamos enfrentar. Não tínhamos a quem recorrer”[34].

Ficou bem gravada a são Josemaria a peregrinação:

“Lembras, Álvaro, que apertos? Fomos uma vez, faz muitos anos... Estava tão quente! E fomos num carro tão ruim! Terrível... tínhamos que empurrar a cada poucos quilômetros... Quisemos aproximar-nos de onde estavam as relíquias do Santo. Uns bons frades dominicanos tenham feito um buraco no relicário de madeira antiga, e com uma lâmpada daquelas que havia antes nos escritórios, iluminavam o fundo e ali se viam os ossos. Com que devoção rezamos! não é mesmo? Porque tínhamos muita necessidade... e aquilo ficou resolvido”[35].

No dia 7 de julho celebrou a Missa na basílica do santo, provavelmente sobre o altar de prata situado à mão direita de quem entra no templo[36]. Poucos meses depois chegou, em efeito, um grande alívio para as obras de Villa Tevere. Não era necessário sofrer o susto dos pagamentos diretos aos operários, fornecedores ou bancos, porque foi assinado um contrato com a construtora Castelli, que tinha estrutura suficiente para realizar de modo contínuo os trabalhos sem aflições com urgências de cobrança à vista.

No fim do mesmo ano (1954) foram terminados alguns novos oratórios em Villa Tevere. Um deles, muito próximo à entrada da casa, está dedicado precisamente a São Nicolau. É bem pequeno, de atmosfera românico-bizantina. Na abside, um mosaico[37] representa o santo, revestido de bispo e sentado, que abençoa com a sua mão direita. Na mão esquerda segura um livro com o edifício de Villa Tevere em cima (a chamada “Villa Vecchia”). Na base do altar, de pedra rugosa, lê-se: “In honorem Sancti Nicolai Episcopi A.D. MDCCCCLIIII”. Tanto o mosaico quanto a decoração das paredes (anjos, símbolos de são Nicolau, alusões a passagens da sua vida, etc.) foram realizados por alunos do Colégio Romano da Santa Cruz. São Josemaria costumava aparecer por lá para acompanhar os artistas e animá-los no seu trabalho.

Bari foi uma das primeiras cidades italianas a que iriam periodicamente membros do Opus Dei para começar as atividades apostólicas que começaram de modo estável em 1964.

Dois anos depois, em 1966, são Josemaria voltou a passar por Bari, ao retornar de uma viagem a Grécia, com Álvaro del Portillo e Javier Echevarría. No porto de Brindisi esperava por eles um carro dirigido por Javier Cotelo, que recordará que, voltando da viagem a Grécia, no dia 13 de março de 1966, “de Brindisi fomos, pela estrada do litoral de Bari, onde estivemos passeando. Visitamos primeiro são Nicolau na catedral basílica, onde estivemos rezando”. Del Portillo precisará que “por Bari passamos, depois de almoçar (almoçamos antes de chegar a Bari), e somente nos detivemos o tempo necessário para rezar diante do santo”. E Cotelo termina a sua recordação: “No dia seguinte, em uma só etapa chegamos a Roma, passando por Foggia, Avellino e Nápoles, onde provavelmente almoçamos”[38].

No dia 1 de janeiro de 1973 um grupo de jovens italianos participava de uma conversa familiar com São Josemaria. Um destes perguntou-lhe o que esperava deles no ano que começava. Por resposta receberam umas palavras de ânimo para o apostolado. Ressaltava que “há muita gente maravilhosa na Itália, esperando ser chamada, como aqueles operários que estavam na praça pública sem trabalho, de mãos abanando, esperando ser contratados”. Então disse ao autor da pergunta: “Onde você mora habitualmente?” ”Em Bari, Padre”, respondeu. E Escrivá formulou um pedido: “Peço-te um favor: que faça uma visita em meu nome a São Nicolau. E diz-lhe, somente uma vez: sancte Nicoläe: curam domus age”. E acrescentou o comentário: “Não é um latim muito clássico, mas é bonito: um latim que vem do coração”[39].

Depois da beatificação de Josemaria Escrivá, a cidade de Bari dedicou-lhe uma rua (viale). Na placa correspondente é qualificado como “peregrino de são Nicolau”[40].

Conclusões

O conteúdo do exposto pode ser resumido em três conclusões:

- São Nicolau de Bari foi o primeiro santo nomeado intercessor do Opus Dei, por são Josemaria Escrivá , no dia 6 de dezembro de 1934, em um momento de particulares dificuldades econômicas para desenvolver as tarefas apostólicas da Obra. À sua intercessão se encomenda especificamente a solução dessas necessidades.

- A sua nomeação na data indicada não constituiu, absolutamente, o primeiro recurso a são Nicolau. Fazia tempo que são Josemaria vinha invocando o santo bispo, na paróquia madrilena de El Salvador y San Nicolás, situada no largo de Antón Martín, muito perto do Real Patronato de Santa Isabel.

- A devoção a são Nicolau continuou se manifestando na vida de Josemaria Escrivá, que frequentemente recorreu à sua intercessão, e inclusive peregrinou à basílica onde repousam os restos mortais do santo, na cidade italiana de Bari. Aconselhou, igualmente, que também fossem ali os membros do Opus Dei residentes nessa localidade.

O autor, José Miguel Pero-Sanz Elorz (Bilbao, 1939), é doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Lateranense (Roma). Também é Bacharel em Filosofia e Letras pela Universidade de Barcelona, e em Ciências da Informação pela Universidade de Navarra (Pamplona). Foi professor nas Faculdades de Ciências da Informação e de Filosofia da Universidade de Navarra. De 1969 a 2009 foi diretor da revista Palabra (Madri). Além de numerosos trabalhos, folhetos e artigos, é autor de uma dúzia de livros, vários de caráter histórico-biográfico: Isidoro Zorzano (1996), San Nicolás (2002), santa Isabel, Reina de Portugal (2011). Ordenado sacerdote em 1963, desenvolveu seu ministério sacerdotal em Pamplona e Madri, onde mora desde 1966.


[1] Apontamentos íntimos, n. 1206, cit. em Andrés Vázquez de Prada, O Fundador do Opus Dei, vol. I, São Paulo, Quadrante, 2004, nota 121, p. 492.

[2] Cfr. IBID.

[3] Naquele tempo, era costume distribuir a Comunhão também fora da Missa. O citado convento é o de Santa Isabel, em cuja casa reitoral Escrivá se hospedou entre os anos 1934 y 1936, com a sua mãe e irmãos. Cfr. Beatriz Comella Gutiérrez, Introducción para un estudio sobre la relación de Josemaría Escrivá de Balaguer con el Real Patronato de Santa Isabel de Madrid, SetD 3 (2009), pp. 189 y 191.

[4] Diário da Academia-Residência DYA, 6 de dezembro de 1934, p. 76, AGP, série A-2, leg. 4, carp. 1, exp. 1. Uma anotação, posterior, de são Josemaria diz: “E de agora em diante será nosso Irmão na Obra”. Provavelmente é de 1936 outra nota marginal sua: “Bem o fez São Nicolau, em pouco mais de um ano. Muito agradecido e agradecidos estamos”.

[5] Álvaro del Portillo explicará que são Nicolau “era o Administrador geral de todas as dívidas porque não havia outra coisa”. Cit. em “Crónica” 1977, p. 786, AGP, Biblioteca, P01. Sobre Heliodoro Gil e a sua relação com são Josemaria durante esses anos, cfr. José Luis González Gullón – Jaume Aurell, Josemaría Escrivá de Balaguer en los años treinta: los sacerdotes amigos, SetD 3 (2009), pp. 66-67.

[6] Na realidade, foi nomeado reitor de Santa Isabel quatro dias depois: em 11 de dezembro de 1934. Sobre a atividade realizada por Josemaria Escrivá no Real Patronato de Santa Isabel, cfr. Comella Gutiérrez, Introducción, pp. 175-200; id., Josemaría Escrivá de Balaguer en el Real Patronato de Santa Isabel de Madrid (1931-1945), Roma-Madrid, Istituto Storico San Josemaría Escrivá – Rialp, 2010.

[7] Ao ouvir estas palavras, alguém perguntou a são Josemaria se o problema se tinha sido resolvido. A resposta foi: “Onde estaríamos você e eu, senão!Embaixo de uma tenda de campanha e uns pedaços de lata! Mas eu não peço milagres; primeiro peço que trabalhemos, que nos sustentemos com o trabalho e, quando não chegamos, pedimos a Deus para chegarmos. Não sou carismático; temos que colocar os meios humanos e ao mesmo tempo os sobrenaturais, que vão sempre juntos”. Cit. em “Crônica”, 1968, p. 447, AGP, Biblioteca, P01.

[8] São Nicolau nasceu em uma família ferventemente cristã, por volta do ano 255, em Pátara, localidade portuária na costa meridional de Ásia Menor (atualmente Turquia). Provavelmente os seus pais faleceram antes de ele completar os quarenta anos, e herdou uma substanciosa fortuna. Nicolau, profundamente piedoso, praticava com generosidade e as obras de misericórdia. Talvez para uma melhor administração do seu patrimônio, mudou-se para a não muito distante cidade de Myra (ou talvez a sua população portuária, chamada Andriake). Por volta do ano 300 a sede episcopal de Myra ficou vaga e, para suceder ao bispo defunto, foi eleito e ordenado Nicolau. Do ano 303 ao 311 (ou talvez 313) teve que sofrer, muito provavelmente, no cárcere e talvez com torturas, a perseguição de Diocleciano. É possível que tenha participado do Concilio Ecumênico de Nicéia (325). Deve ter falecido octogenário, por volta do ano 335, e foi enterrado naquela que mais tarde seria a sua igreja, entre Myra e Andriake. Ali seus restos mortais foram venerados até que, em 1087, foram transferidos a Bari, onde permanecem atualmente. Para mais dados da sua vida, cfr. José Miguel Pero-Sanz, San Nicolás, Madri, Palabra, 20072.

[9] No original “dar un sablazo”: expressão coloquial, comumente usada para expressar o pedido de ajuda econômica, feito com graça e de modo amável, com a intenção de não ter que devolver a soma recebida.

[10] Palavras de um encontro informal, 9 de fevereiro de 1975, “Catequesis en América”, vol. III, 1974, p. 2, AGP, Biblioteca, P04.

[11] A dupla apelação corresponde a duas das mais antigas paróquias de Madri. Uma e outra são citadas, como paróquias independentes, no Fuero de 1202.

[12] José Luis Martín Gil, Antón Martín, pionero del voluntariado social, Madrid, BAC, 2009, pp. 152ss.

[13] Sofreu uma primeira tentativa de incêndio no dia 13 de março de 1936. Cfr. Comella, Josemaría Escrivá, p. 70. E no dia 20 de julho do mesmo ano ardeu, como muitas igrejas de Madri, até sua total destruição. José Luis Martín Gil destaca que “da cúpula e telhados da igreja se recuperaram perto de 7.000 quilos de chumbo derretido, o único aproveitável das suas cinzas”. Martín Gil, Antón Martín, p. 181. Cfr. Também José Francisco Guijarro, Persecución religiosa y guerra civil. La Iglesia en Madrid, 1936-1939, Madri, La Esfera de los Libros, 2006, p. 370. Reconstruída em 1948, depois da guerra civil espanhola, a paróquia de El Salvador y San Nicolás, na rua de Atocha, número 58, junto da praça de Antón Martín, continua sendo o centro da devoção madrilena ao Santo. Por exemplo, ali confluem – especialmente, nas segundas-feiras de cada semana – as populares Caminatas de San Nicolás.

[14] Cfr. Julio González-Simancas y Lacasa, San Josemaría entre los enfermos de Madrid (1927-1931), SetD 2 (2008), pp. 147-203.

[15] Com relação à situação econômica do fundador na década dos anos 30, cfr., por exemplo, Vázquez de Prada, O Fundador, vol. I; Pedro Rodríguez, El doctorado de san Josemaría en la Universidad de Madrid, SetD 2 (2008), pp. 13-103, Passim.

[16] Sobre a Residência DYA, cfr. José Carlos Martín de la Hoz – Josemaría Revuelta Somalo, Un estudiante en la Residencia DYA. Cartas de Emiliano Amann a su familia (1935-1936), SetD 2 (2008), pp. 299-358; Constantino Ánchel, Fuentes para la historia de la Academia y de la Residencia DYA, SetD 4 (2010), pp. 101; José Luis González Gullón, Anotaciones de Ricardo Fernández Vallespín en la Academia DYA de Madrid (18 de marzo – 25 de junio de 1934), SetD 7 (2013), pp. 371-402.

[17] Vázquez de Prada, O Fundador, vol. I, pp. 466-467.

[18] Cfr. ibid., p. 467.

[19] Cfr. ibid., p. 469.

[20] O anterior reitor de Santa Isabel não havia apresentado formalmente sua renúncia e houve vários reajustes de competências no citado Ministério.

[21] Cfr. ibid., pp. 469-470.

[22] Cfr. ibid., pp. 480-482.

[23] Cfr. ibid., p. 480.

[24] Carta de Josemaria Escrivá aos membros do Opus Dei de Madri, 20 de setembro de 1934, cit. em ibid., p. 481.

[25] Ibid., p. 481.

[26] Tratava-se dos Armazéns Simeón, cfr. ibid., p. 482.

[27] Palavras de uma meditação dirigida por Josemaria Escrivá, 19 de março de 1975, cit. em ibid., pp. 482.

[28] Cfr. Academia DYA, curso 1934-1935. Fichário assistentes a atividades, AGP, série A.2- 41-3-2.

[29] Cfr. Diário do Centro de Madri, 16 de abril e 2 de maio de 1939, AGP, A.2, 11-1-1.

[30] Cfr. José Miguel Pero-Sanz, Isidoro Zorzano, Madri, Palabra, 1996, p. 272.

[31] Cfr. ibid., pp. 342 e 425.

[32] Cfr. Javier Medina Bayo, Álvaro del Portillo. Un hombre fiel, Madrid, Rialp, 2012, pp. 315-323.

[33] Diário do Colégio Romano da Santa Cruz (30 de maio a 27 de julho de 1954), 5 de julho de 1954, AGP, M.2.2, 427-24. Acrescenta: “pediu-nos que nos unamos às suas intenções pedindo pela solução do problema econômico”.

[34] Anotações tomadas de uma reunião informal, 14 de fevereiro 2004, “Crônica”, 2004, p. 238, AGP, Biblioteca, P01.

[35] Anotações tomadas de um encontro informal, “Dos meses de catequesis”, vol. II, p. 625, AGP, Biblioteca, P04.

[36] Um médico de Bari, Lucio Tauro, recorda ter ouvido isso de São Josemaria, em uma tertúlia, 1º de janeiro 1973. Cfr. AGP, série A.2, 83-3-5. Até o momento, pelo menos, é a única referencia escrita que informa do altar em que celebrou.

[37] O primitivo mosaico – pintado – foi substituído com o tempo por um verdadeiro, de tésselas autênticas. A lembrança de Javier Cotelo, com as anotações de Álvaro del Portillo e de Javier Echevarría se conserva em AGP, serie A.5, 206-1-1.

[38] As recordações de Javier Cotelo, com anotações de Álvaro del Portillo e Javier Echevarría, são conservadas em AGP, serie A.5, 206-1-1.

[39] Anotações de uma conversa familiar, 1 de janeiro de 1973, “Crónica”, 1973, p. 54, AGP,

Biblioteca, P01. Cfr. Também no testemunho do interessado, Lucio Tauro, AGP, série A.2, 83-3-5.

[40] Cfr. Aldo Capucci, La memoria di san Josemaría Escrivá nello spazio urbano in Italia, SetD 4 (2010), p. 442.