“Studia et Documenta”, n. 9, sobre D. Álvaro del Portillo

O tema monográfico da revista analisa a figura de D. Álvaro del Portillo beatificado no passado dia 27 de setembro. Os quatro estudos de que se compõe procuram apresentar dados e proporcionar instrumentos interpretativos úteis para futuras investigações sobre o novo beato, figura chave na história do Opus Dei.

O primeiro dos artigos, de F. Requena, analisa quem foram os professores de Teologia do bem-Aventurado Álvaro del Portillo: S. Josemaria quis proporcionar uma esmerada formação eclesiástica aos primeiros membros do Opus Dei, motivo pelo qual escolheu cuidadosamente um corpo docente de prestígio e qualificado. Esta formação ajuda a compreender diversos aspetos da sua atividade subsequente, desde as suas responsabilidades à frente do Opus Dei, passando pelas relações que manteve com teólogos e canonistas do século XX, pelos seus trabalhos no Concílio Vaticano II e pela revisão do Código de Direito Canônico.


A sua atividade no Concílio Vaticano II é tratada, precisamente, no segundo artigo desta secção monográfica, da autoria de Manuel Valdés. Nele se analisa o seu trabalho como secretário da Comissão conciliar De Disciplina Cleri et Populi Christiani, bem como os trabalhos que conduziram à redação do Decreto Presbiterorum Ordinis.

Os dois últimos artigos da seção monográfica debruçam-se sobre aspetos da vida de D. Álvaro del Portillo à frente do Opus Dei. No primeiro, levado a cabo por Carlo Pioppi, estuda-se a expansão do Opus Dei entre os anos de 1978 e 1993 (a que seguirá um segundo artigo a publicar em Studia et Documenta) por alguns países da América (Bolívia, Honduras, Trindade e Tobago, República Dominicana e Nicarágua) e da Europa (Suécia, Finlândia, Checoslováquia, Hungria e Polônia).

O último artigo, de M. E. Ossandón, versa sobre a amizade que existiu entre o beato Álvaro del Portillo e S. João Paulo II. Uma amizade sustentada pela relação filial que D. Álvaro sentia para com o Papa, mais jovem que ele, e que marcou grande parte dos anos em que esteve à frente do Opus Dei.

A seção Studi e Note incluí três artigos sobre diversos aspetos da vida de S. Josemaria Escrivá e sobre a expansão do Opus Dei em Nagasaki. No primeiro, J. F. Baltar analisa os estudos de Direito que São Josemaria levou a cabo na Universidade de Saragoça. Estudos de caráter civil, realizados em parte a conselho de seu pai, que lhe permitiram frequentar um ambiente externo ao Seminário e que Josemaria Escrivá aproveitou para realizar um intenso apostolado entre os seus professores e colegas. Segue-se um artigo de Nicolás Álvarez em que se estuda a pregação de retiros que São Josemaria dirigiu a sacerdotes diocesanos entre os anos de 1938 a 1942. Partindo dos roteiros das pregações e dos testemunhos escritos de alguns sacerdotes que ouviram essas meditações, o autor examina a estrutura, o conteúdo e as fontes da pregação, enquadrando-os no iter biográfico do fundador do Opus Dei e no contexto histórico-espiritual da Igreja em Espanha, marcado pelo recente fim da Guerra Civil.

Encerra esta seção um estudo sobre a fundação em 1978 da Nagasaki Seido School, colégio para raparigas que foi o primeiro centro educativo no Japão inspirado nos ensinamentos de S. Josemaria. No artigo analisam-se também os inícios do Opus Dei no Japão e em Nagasaki, retomando outro artigo que fora publicado sobre este tema no vol. 1 (2007) de Studia et Documenta.

Na seção dedicada à publicação de inéditos, Documenti, A. Méndiz apresenta três cartas circulares escritas por São Josemaria em Burgos dirigidas a todos os membros do Opus Dei entre 1938 e 1939. Nelas se revela um grande tema de fundo: o recomeço das atividades do Opus Dei, interrompidas pela guerra; um novo arranque que São Josemaria apresenta com grande expetativa e entusiasmo.

A seção Notiziario reúne uma crônica das apresentações realizadas em Pamplona, Burgos e Roma, do Diccionario de San Josemaría Escrivá de Balaguer promovido pelo Istituto Storico San Josemaría Escrivá (coordenado pela secção em Espanha – CEDEJ) e publicado pela editora Monte Carmelo em 2013. Transcrevem-se também as intervenções realizadas por ocasião dessas apresentações, a cargo de Inmaculada Alva, Pedro Ángel Deza y Francisco Gil.

Na Seção Bibliogáfica o leitor encontra duas recensões: a primeira a cargo de L. Cano, da edição crítico-histórica de É Cristo que passa, e a segunda, a cargo de M. de Salis, do Diccionario de San Josemaría Escrivá de Balaguer. Esta seção inclui ainda 14 fichas bibliográficas e um elenco preparado por J. M. Fernández e S. Mátinez com a bibliografia sobre o Opus Dei, fiéis e iniciativas apostólicas publicadas entre 2003 e 2009.

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