São Josemaria, fonte de inspiração

Palmira Laguéns explica como realizou os painéis de azulejo que representam os principais momentos da vida de São José e da Sagrada Família

Opus Dei - São Josemaria, fonte de inspiração

Em Torreciudad, santuário de Nossa Senhora construído por desejo e impulso de São Josemaria, existe um velho caminho que os antigos peregrinos percorriam quando se dirigiam à velha ermida, ao longo do qual agora se localizam espaçadamente catorze cenas, em grupos de duas, das dores e alegrias de São José, em painéis de azulejo, que representam os principais momentos da vida do Santo Patriarca e da Sagrada Família.

Palmira Laguéns explica como os realizou:

Ao receber a encomenda da realização em cerâmica da série das Dores e Alegrias de São José acompanhada de textos da Sagrada Escritura que cada uma das cenas iria representar, centrei-me antes do mais na caracterização das personagens centrais: O Menino Jesus, Santa Maria e São José. Tratava-se também de cenas em que devia ficar clara a continuidade temporal.

Procurei recordar o que tinha ouvido algumas vezes diretamente de Mons. Josemaria Escrivá e reler os seus escritos, em que tanto transparece a sua devoção e carinho pelo Santo Patriarca, com a convicção de que iriam ser fonte de inspiração para traduzir em imagens os textos da Sagrada Escritura. Aí encontrei, com efeito, o que me pareceram ser os traços mais expressivos de São José.

- "Não estou de acordo com a forma clássica de representar São José como um ancião (...). Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na plenitude da vida e do vigor humano.

- "Sabemos, porém, que não era uma pessoa rica: era um trabalhador, como milhões de outros homens em todo o mundo; exercia o ofício fatigante e humilde que Deus havia escolhido para Si ao tomar a nossa carne e ao querer viver trinta anos entre nós como outra pessoa qualquer".

- "Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de José: em nenhum momento surge aos nossos olhos como um homem apoucado ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar os problemas, ultrapassar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa as tarefas que lhe são confiadas".

(É Cristo que passa, n.40).

Em suma, um homem jovem na plenitude da vida, ativo, trabalhador, que ganhava a vida com o seu esforço, e a quem coube a sorte de cuidar do Filho de Deus feito homem, e de Maria, a Mãe de Deus. Uma personagem que tinha de deixar transparecer no seu rosto, pela simplicidade do coração e da profundidade dos sentimentos, as alegrias e os sofrimentos que a sua missão extraordinária, plenamente assumida, comportava, e que devia, ao mesmo tempo, manifestar nas suas atitudes, uma vigilância cheia de amor, e a sua total identificação à vontade divina.

Por outro lado, era também importante que ficasse claro, ao longo das diversas cenas, que cada uma das personagens – o Menino Jesus, Santa Maria e São José – não eram figuras isoladas, acidentalmente reunidas por determinados acontecimentos, mas que constituíam uma família – a Sagrada Família, modelo para o povo cristão – e, por isso mesmo, intimamente unidos por laços de entrega e amor que se fortaleciam cada vez mais ao longo de uma vida difícil e dos duros acontecimentos que se resumem na devoção popular das Dores e Alegrias de São José. Mais ainda, partindo precisamente dessas dificuldades deveria ficar bem clara a sua entrega e amor, de modo a poder servir de exemplo às famílias cristãs: "Ao pensar nos lares cristãos, gosto de imaginá-los luminosos e alegres, como foi o da Sagrada Família (...). Cada lar cristão deveria ser um remanso de serenidade em que, por cima das pequenas contrariedades diárias, se pudesse notar uma afeição profunda e sincera, uma tranqüilidade profunda, fruto de uma fé real e vivida" (É Cristo que passa, n. 22).

Uma vez estudadas as personagens, tornava-se mais fácil centrar-se na composição das cenas metendo-se nas passagens do Evangelho.