Qual é a relação entre as Bem-aventuranças e o Pai-nosso?

Na primeira Audiência Geral do ano de 2019, o Papa deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o Pai Nosso, se apoiando na passagem das bem-aventuranças.

Da Igreja e do Papa

O texto do "Pai Nosso" aparece no centro do Sermão da Montanha, que abre com as Bem-aventuranças. Jesus coroa de felicidade uma série de pessoas que, no seu tempo – como, aliás, no nosso –, não gozavam de grande consideração: os pobres, os mansos, os que choram, os sedentos de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os artesãos da paz, os inocentes perseguidos.

Deste portal, que inverte os valores da história, sai a novidade do Evangelho. Se uma pessoa tem o coração bom, predisposto para o amor, compreenderá que cada palavra de Deus deve ser encarnada na vida até às últimas consequências, ou seja, até amar os inimigos e rezar pelos seus perseguidores. "Fazendo assim – acrescenta Jesus – tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu". Eis o grande segredo que está na base de todo o Sermão da Montanha: sede filhos do vosso Pai, que está no Céu.

O cristão não é alguém melhor do que os outros; bem sabe que é pecador como os outros; é apenas uma pessoa que para diante da Sarça-ardente, acolhendo a revelação de Deus que já não se esconde sob um nome impronunciável, mas pede aos seus filhos para O invocarem com o doce nome de 'Pai'.

Entretanto, na nossa oração, não façamos como os hipócritas, que multiplicam suas orações ateias, pois rezam a si mesmos, isto é, rezam apenas para ser admirados pelos homens. A oração cristã, pelo contrário, não procura outra testemunha credível senão a própria consciência. Mas, no segredo da consciência, o Pai do Céu vê. E isso basta!

No fundo, para sermos atendidos, é suficiente colocar-nos sob o olhar de Deus, lembrar-nos do seu amor de Pai. O nosso Deus não precisa de nada; pede apenas que, na oração, mantenhamos aberto um canal de comunicação com Ele, para nos descobrirmos sempre seus filhos muito amados.