Dossiê informativo sobre Guadalupe Ortiz de Landázuri

Informações relevantes sobre Guadalupe Ortiz de Landázuri: biografia, cronologia da causa de canonização, relato do milagre, perguntas ao postulador e bibliografia de interesse. Disponíveis para download em pdf e Word.

Comunicados para imprensa e declarações
Opus Dei - Dossiê informativo sobre Guadalupe Ortiz de Landázuri

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CONTEÚDOS:

1. Breve biografia de Guadalupe Ortiz de Landázuri (1916-1975) (caracteres sem espaços: 6299)

2. Cronologia da causa de canonização (caracteres: 3927)

3. A cura milagrosa de Antonio Jesús Sedano Madrid, atribuída a Guadalupe Ortiz de Landázuri (caracteres: 5382)

4. Perguntas ao postulador da causa, Antonio Rodríguez de Rivera, sacerdote (caracteres: 8707)

5. Referências bibliográficas e digitais


1. Breve biografia de Guadalupe Ortiz de Landázuri (1916-1975)

Guadalupe Ortiz de Landázuri nasceu em Madri, Espanha, no dia 12 de dezembro de 1916. Era a quarta filha e única menina do casal Manuel Ortiz de Landázuri e Eulogia Fernández-Heredia. Os seus pais educaram-na na fé cristã. O terceiro filho do casal, Francisco, morreu quando Guadalupe era pequena.

Com 10 anos, mudou-se com a família para Tetuán, no norte de África, por causa do trabalho do pai, que era militar. Na sua infância destacavam já dois traços característicos da sua personalidade: a força de vontade e a valentia.

Em 1932 voltaram a Madri, onde terminou o ensino médio no Instituto Miguel de Cervantes. Em 1933 matriculou-se no curso de Ciências Químicas na Universidade Central. Era uma das 5 mulheres de uma turma de 70. Mais tarde, iniciou o doutorado, porque se queria dedicar à docência universitária. Os seus colegas da universidade recordam-na seriamente dedicada ao estudo, com grande simpatia e gosto pelo imprevisto.

Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), o pai foi feito prisioneiro e, finalmente, condenado à morte. Guadalupe, que tinha então 20 anos, juntamente com o irmão Eduardo e a mãe pôde despedir-se dele horas antes do fuzilamento e dar-lhe serenidade nesses momentos. Perdoou do fundo do coração aos que tinham decidido a condenação do pai. Em 1937, conseguiu passar com o irmão e a mãe para a outra zona de Espanha, onde já se encontrava o irmão Manolo. Instalaram-se em Valladolid até ao final da guerra.

Voltaram a Madri em 1939. Guadalupe começou a dar aulas no colégio da Bem-aventurada Virgem Maria e no Liceu Francês. Um domingo de 1944, ao assistir à missa sentiu-se “tocada” pela graça de Deus. Ao voltar a casa, encontrou um amigo a quem manifestou o desejo de falar com um sacerdote. Este ofereceu-lhe o telefone de Josemaria Escrivá. Em 25 de janeiro foi a um encontro com ele no primeiro centro de mulheres do Opus Dei, na rua Jorge Manrique. Guadalupe recordava esse encontro como a sua descoberta da chamada de Jesus Cristo a amá-lo sobre todas as coisas através do trabalho profissional e da vida diária: era essa a mensagem que Deus queria recordar aos homens servindo-se do Opus Dei. Depois de considerar o assunto na oração e de fazer um retiro espiritual, em 19 de março decidiu responder que sim ao Senhor. Guadalupe tinha 27 anos. A partir desse momento, intensificou o seu trato com Deus. Cumpria com amor as suas ocupações e procurava passar tempos de oração junto ao sacrário.

O Opus Dei estava nos seus primeiros anos e, entre as tarefas que havia que realizar, era importante atender a administração doméstica das residências de estudantes que estavam começando, em Madri e em Bilbao. Guadalupe dedicou-se durante uns anos a estes trabalhos. Eram anos de escassez e de racionamento e, a estas dificuldades exteriores, juntava-se o seu esforço por aprender um trabalho para o qual não tinha especial habilidade. Nem por isso diminuiu a sua paixão pela Química e, sempre que podia, continuava o seu estudo.

Durante o ano letivo 1947-1948 foi a diretora da residência universitária Zurbarán. Conectava facilmente com as universitárias, que respondiam com confiança à paciência e ao carinho que lhes demonstrava e ao sentido de humor com que as ajudava na sua vida acadêmica e pessoal.

No dia 5 de março de 1950, por convite de São Josemaria, foi para o México levar a mensagem do Opus Dei a essas terras. Ia muito entusiasmada com o trabalho que se faria nesse país, sob o amparo de Nossa Senhora de Guadalupe. Matriculou-se no doutorado em Ciências Químicas, que tinha começado em Espanha. Com as que a acompanharam, pôs em funcionamento uma residência universitária. Animava as residentes a levarem a sério os seus estudos e abria-lhes horizontes de serviço à Igreja e à sociedade de que faziam parte. Destacava-se a sua preocupação pelos pobres e idosos. Entre outras iniciativas, criou com uma amiga — médica de profissão — um dispensário ambulante: iam de casa em casa nos bairros mais necessitados, atendendo às pessoas que moravam ali e facilitando-lhes os medicamentos gratuitamente. Impulsionou a formação cultural e profissional de camponesas, que viviam em zonas montanhosas e isoladas do país e que muitas vezes não contavam com a instrução básica.

Guadalupe tinha um grande coração e um carácter decidido, que procurava dominar esforçando-se por se expressar com delicadeza e suavidade. O seu otimismo cristão e o seu sorriso habitual atraíam, e essa alegria expressava-se muitas vezes em canções, embora não cantasse especialmente bem. Beatriz Gaytán, historiadora recorda: “Sempre que penso nela ouço, apesar do tempo decorrido, a sua risada. Guadalupe era um sorriso permanente: acolhedora, afável, simples”. Durante os anos que esteve no México foi uma das impulsionadoras de Montefalco, uma ex-fazenda colonial que estava em ruínas e que hoje é sede de um centro de convenções e casa de retiros e de duas instituições educativas: o Colégio Montefalco e a escola rural El Peñón.

Em 1956 mudou-se para Roma para colaborar mais diretamente com São Josemaria no governo do Opus Dei. Nesse ano surgiram os primeiros sintomas de uma doença cardíaca e teve que ser operada em Madri. Apesar da boa recuperação, a sua cardiopatia tornou-se mais grave e precisou regressar definitivamente à Espanha. Retoma a atividade acadêmica e começa uma pesquisa sobre refratários isolantes e o valor das cinzas da casca de arroz para os mesmos. Este trabalho ganhou o prêmio Juan de la Cierva e terminou numa tese de doutorado que defendeu no dia 8 de julho de 1965. Ao mesmo tempo, desenvolveu as suas tarefas docentes como professora de Química no Instituto Ramiro de Maeztu durante dois anos, e na Escola Feminina de Formação Industrial — de que chegou a ser subdiretora — durante os dez anos seguintes. A partir de 1968 participa no planejamento e início do Centro de Estudos e Investigação de Ciências Domésticas (CEICID), de que será subdiretora e professora de Química de têxteis. As pessoas que conviveram com ela recordam que era mais compreensiva do que exigente com os outros, e que se percebia que procurava a Deus ao longo do dia: sabia-se olhada por Ele e pela Santíssima Virgem, sempre que podia fazia breves visitas ao sacrário, para falar a sós com Jesus sacramentado, ao mesmo tempo que pensava nos seus alunos ao preparar com rigor e dedicação as aulas. Tinha muitas amizades, a que dedicava tempo e as suas melhores energias sem descuidar as que conviviam com ela, que atendia com muito carinho.

Apesar da sua doença cardíaca, Guadalupe não se queixava e procurava que não se notasse o cansaço que tinha ao caminhar, subir escadas, etc. Esforçava-se por escutar com interesse os outros e queria passar inadvertida, procurando centrar a conversa nos outros. Em 1975, os médicos decidem operá-la e deixa a sua casa em Madri para ingressar na Clínica Universitária de Navarra. No dia 1 de julho é operada. Poucos dias antes, em 26 de junho, tinha falecido em Roma o fundador do Opus Dei. Guadalupe recebeu a notícia com grande dor, mas com a paz e a alegria de saber que ele já gozava de Deus. Ela própria, passados poucos dias, iria enfrentar a sua própria morte com essa serenidade: embora o resultado da operação fosse satisfatório, quando estava se recuperando sofreu uma repentina insuficiência respiratória. Morreu no dia 16 de julho de 1975, festa de Nossa Senhora do Carmo. Em 5 de outubro de 2018, seus restos mortais foram transferidos de Pamplona para o Real Oratório de Caballero de Gracia, em Madri.


2. Cronologia da causa de canonização

16 de julho de 1975: Guadalupe morre em Pamplona, Espanha, com fama de santidade.

6 de janeiro de 2001: o prelado do Opus Dei, Dom Javier Echevarría, nomeia o Rev. Benito Badrinas Amat como postulador da causa de beatificação e canonização de Guadalupe.

30 de março de 2001: a Congregação para as Causas dos Santos - depois de receber o pedido do Arcebispo de Madri, Cardeal Antonio María Rouco Varela, e com o consentimento do Arcebispo de Pamplona, Dom Fernando Sebastián, transfere a competência para instruir a investigação diocesana de Pamplona a Madri.

3 de novembro de 2001: A Congregação para as Causas dos Santos concede o nihil obstat para iniciar o processo de canonização de Guadalupe.

18 de novembro de 2001: primeira sessão do processo sobre a vida, virtudes e fama de santidade de Guadalupe, na arquidiocese de Madri, presidida pelo cardeal Rouco Varela.

23 de janeiro de 2002 a 11 de dezembro de 2003: em 66 sessões, o tribunal interroga 32 testemunhas, em Madri.

6 a 28 de maio de 2003: em 37 sessões, o tribunal ouve as declarações de 22 testemunhas, na Cidade do México, para verificar in situ a extensão da reputação de santidade de Guadalupe.

9 de maio de 2002 a 13 de dezembro de 2004: os membros da comissão histórica recolhem todos os documentos relativos à Serva de Deus e apresentam um relatório com essa informação.

10 de maio de 2002 a 3 de janeiro de 2005: os peritos teólogos estudam os escritos de Guadalupe e apresentam os seus pareceres.

18 de março de 2005: sessão de encerramento do processo diocesano, presidida pelo Arcebispo de Madri.

23 de abril de 2005: entrega das atas da investigação diocesana à Congregação para as Causas dos Santos: 3008 páginas divididas em sete volumes.

12 de maio de 2005: o prelado do Opus Dei nomeia o Rev. António Rodríguez de Rivera como postulador da causa da canonização perante a Congregação para as Causas dos Santos.

17 de fevereiro de 2006: A Congregação para as Causas dos Santos publica o decreto de validade do processo diocesano sobre a vida, virtudes e fama de santidade da Serva de Deus.

5 de maio de 2006: A Congregação nomeia o P. Cristoforo Bove, OFM Conv., Relator encarregado de dirigir a redação da Positio super vita, virtutibus et fama sanctitatis de Guadalupe.

25 de maio de 2007 a 16 de janeiro de 2008: o processo sobre a cura de António Jesús Sedano Madrid, atribuído à intercessão de Guadalupe, é instruído na Arquidiocese de Barcelona.

21 de janeiro de 2008: as atas do processo diocesano da cura de António Jesús Sedano Madrid são entregues à Congregação para as Causas dos Santos.

24 de outubro de 2008: a Congregação emite o decreto de validade da investigação realizada na arquidiocese de Barcelona sobre a cura de António Jesús Sedano Madrid.

4 de agosto de 2009: o postulador entrega a Positio à Congregação. Consiste em quatro partes: história da causa e fontes (25 páginas), biografia documentada (159 páginas), estudo crítico das virtudes (215 páginas) e resumo das declarações das testemunhas do processo e dos documentos e escritos de Guadalupe. (656 páginas).

7 de junho de 2016: os consultores teológicos da Congregação para as Causas dos Santos, depois de examinar a Positio, respondem positivamente à questão sobre o exercício heroico das virtudes por parte de Guadalupe e sobre sua fama de santidade.

2 de maio de 2017: a sessão ordinária dos cardeais e bispos membros da Congregação pronuncia-se a favor da heroicidade das virtudes e da fama da santidade de Guadalupe.

4 de maio de 2017: O Papa Francisco autoriza a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto sobre as virtudes da Serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri.

5 de outubro de 2017: os médicos peritos da Congregação estudam a documentação sobre a cura de António Jesús Sedano Madrid e concluem que essa cura instantânea, completa e permanente não tem explicação científica.

2 de janeiro de 2018: a Positio é entregue à Congregação sobre a possível cura milagrosa de António Jesús Sedano Madrid.

1 de março de 2018: os consultores teológicos da Congregação respondem positivamente à questão sobre a atribuição da cura extraordinária de António Jesús Sedano Madrid à intercessão de Guadalupe.

5 de junho de 2018: a sessão ordinária dos cardeais e bispos membros da Congregação afirma que a cura extraordinária de António Jesús Sedano Madrid deve ser atribuída à intercessão de Guadalupe.

8 de junho de 2018: o Papa Francisco autoriza a Congregação a publicar o decreto sobre o milagre atribuído à intercessão de Guadalupe.

26 de outubro de 2019: a Santa Sé comunica que o Papa Francisco estabeleceu a data da beatificação.

18 de maio de 2019: Guadalupe será beatificada em Madri, sua cidade natal.


3. A cura milagrosa de Antonio Jesús Sedano Madrid, atribuída a Guadalupe Ortiz de Landázuri

Durante o verão de 2002, Antonio Jesús Sedano Madrid, de 76 anos, viúvo desde 1991, teve uma lesão na pele - semelhante a uma espinha - no canto interno do olho direito que ardia e às vezes doía. A lesão não desaparecia e, durante várias semanas, os seus três filhos e alguns amigos o notaram. No entanto, não chegaram a fazer nenhum tratamento.

Devido às recentes dificuldades de visão, Antonio tinha programado uma consulta oftalmológica, para possível operação de catarata, em Barcelona (Espanha), onde morava. Durante essa consulta, no dia 2 de agosto, aproveitou para mostrar ao oftalmologista a lesão da pele ao lado do olho. O médico o encaminhou diretamente para o Hospital de Clínicas de Barcelona, para que pudessem fazer uma revisão da lesão cutânea, pois suspeitava que fosse um tumor.

No dia 30 de outubro, ele foi avaliado no hospital pelo chefe do departamento de oftalmologia, que chegou ao diagnóstico clínico de carcinoma basocelular, na forma conhecida como ulcus rodens. Este é um dos tumores malignos mais frequentes da superfície cutânea, geralmente acomete idosos e aparece com mais frequência na cabeça e no pescoço. Sua evolução é progressiva e envolve destruição local de tecidos. O tratamento geralmente é cirúrgico e na maioria das vezes resulta na cura do paciente.

No caso de Antonio, o tumor - de dimensões semelhantes a uma lentilha - apresentava uma gravidade superior a habitual, já que, pela sua localização - muito próxima ao olho - poderia facilmente invadir os órgãos vizinhos. O médico informou a Antonio que a sua lesão requeria remoção cirúrgica e o reenviou para o especialista em cirurgia plástica. O médico considerou necessário um tratamento imediato e o encaminhou para um cirurgião plástico. No dia seguinte, o cirurgião revisou Antonio e confirmou o diagnóstico: era um carcinoma basocelular. Sem perda de tempo, decidiu que devia fazer uma operação urgente para retirá-lo e explicou ao paciente que era, sem dúvida, um tumor maligno, mas que era possível eliminá-lo por meio de uma cirurgia que deveria ser realizada o mais breve possível.

Para Antonio, o diagnóstico de câncer foi motivo de grande preocupação e as pessoas próximas a ele perceberam. Enquanto aguardava a cirurgia, essa preocupação aumentava, pois o tumor piorava notavelmente.

No Oratório de Santa Maria de Bonaigua, onde costumava ir à missa, Antonio encontrou uma estampa para a devoção privada à Serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri e informação sobre a sua vida. Imediatamente simpatizou com ela, e então começou a pedir-lhe por sua cura. Seus filhos e outros parentes fizeram o mesmo, e Antonio distribuiu várias estampas da Serva de Deus.

Antes de saber quando ia ser operado, Antonio ficou desanimado e assustado - também por outras complicações de saúde - e, sabendo a data exata da cirurgia, o seu medo piorou. Uma noite, quando ele estava especialmente nervoso, segurando uma estampa de Guadalupe nas mãos, ele disse a ela espontaneamente, com grande fé: "Você pode fazer este milagre, faz com que eu não tenha que ser operado, isso não custa nada, é pouca coisa para você".

Depois de rezar a Guadalupe, Antonio acalmou-se, dormiu sem interrupção e na manhã seguinte acordou sereno e descansado. Quando se olhou no espelho, descobriu que o ferimento havia desaparecido. Não podia acreditar: pensava que essas coisas aconteciam com outras pessoas, mas não com ele. Seu humor mudou completamente e naquela manhã até brincou quando deu a notícia a uma filha, que ficou estupefata. A mesma coisa aconteceu com outra filha quando descobriu que o tumor tinha desaparecido de um dia para o outro, sem sequer deixar um sinal. Antonio também ligou para o filho para lhe dar a notícia e também para outros amigos. Além disso, contatou a secretária do especialista em cirurgia plástica para cancelar a operação, já que não havia nada para operar.

Quando o cirurgião plástico checou o paciente, constatou o desaparecimento absoluto do câncer, devido a causas desconhecidas. Sua impressão inicial foi de choque. A primeira pergunta que fez foi: "Onde você fez a cirurgia?" Em seguida, Antonio contou-lhe os detalhes da sua cura e a intercessão de Guadalupe Ortiz de Landázuri. A cura, que ocorreu da noite para o dia, foi inexplicável. Na história clínica dessa data está escrito: "O ferimento desapareceu depois de rezar a serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri". Em sucessivas revisões, a cura foi confirmada.

Antonio Jesús Sedano Madrid morreu doze anos depois, em 2014, devido a uma patologia cardíaca. Ele tinha 88 anos de idade. O câncer de pele, que foi curado através da intercessão de Guadalupe Ortiz de Landázuri, nunca mais apareceu.

Como a cura parecia um acontecimento extraordinário, de acordo com histórias clínicas semelhantes, o arcebispo de Barcelona decretou no dia 18 de maio de 2007 a instrução de um processo canônico sobre o milagre e nomeou um tribunal diocesano para a investigação. O processo ocorreu de 25 de maio de 2007 a 17 de janeiro de 2008. No dia 24 de outubro de 2008, a Congregação para as Causas dos Santos confirmou a validade desse processo diocesano.

No dia 5 de outubro de 2017, o conselho médico da Congregação para as Causas dos Santos examinou o caso. Os médicos destacaram os aspectos mais relevantes da cicatrização em estudo: o diagnóstico adequado da lesão, confirmado por médicos especialistas e, principalmente, a sua cicatrização instantânea, sem nenhum tratamento. Os especialistas daquela Congregação declararam que os fatos não são explicáveis do ponto de vista científico.

Sucessivamente, o caso foi submetido ao exame dos teólogos consultores, que na sessão de 1 de março de 2018 declararam comprovada, sem lugar a dúvidas, a relação entre a cura milagrosa de Antonio e a invocação de Guadalupe Ortiz de Landázuri.

Finalmente, na sessão ordinária de 5 de junho de 2018, os cardeais e bispos, membros da Congregação para as Causas dos Santos decidiram que existem elementos suficientes para comprovar que essa cura possa ser considerada um milagre.

No dia 8 de junho de 2018, o Santo Padre, depois de receber do cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, um relatório com toda esta informação, declarou que existem provas do milagre realizado por Deus através da intercessão da venerável serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri.


4. Perguntas ao postulador da causa, Antonio Rodríguez de Rivera, sacerdote

1. Quem foi Guadalupe Ortiz de Landázuri?

Foi uma mulher de uma grande categoria humana, alegre e humilde, que tinha muito prestígio profissional e viveu sempre ajudando os outros nas suas necessidades espirituais e materiais. Foi uma pessoa enamorada de Deus, cheia de fé e de esperança.

Nasceu em Madri no dia da festa de Nossa Senhora de Guadalupe do ano de 1916. Estudou Ciências Químicas na Universidade Central. No seu ano eram apenas cinco mulheres. Destacava-se pela sua seriedade no estudo e pelo seu sorriso contagioso. Após a Guerra Civil, acabou o curso e começou a dar aulas de Física e Química no Colégio das Irlandesas e no Liceu Francês de Madri.

Nos começos de 1944 conheceu o Opus Dei. O seu primeiro encontro com São Josemaria marcou-a profundamente. Mais tarde afirmará: “Tive a sensação clara de que Deus me falava através daquele sacerdote”. Nesse mesmo ano pediu a admissão nessa instituição da Igreja. Dirigiu alguns Centros do Opus Dei para moças jovens em Madri e Bilbao. Em 1950 mudou-se para o México para começar o trabalho apostólico com mulheres: foi uma aventura vivida com generosidade e uma fé enorme. Entre outras coisas, pôs em funcionamento um centro de formação humana e profissional para camponesas, numa zona rural do Estado de Morelos.

Em 1956 foi para Roma, onde colaborou com São Josemaria na direção do Opus Dei. Dois anos depois, por motivos de saúde, regressou a Espanha e retomou o ensino e a pesquisa científica. Concluiu a sua tese de doutoramento em Química, com a máxima qualificação, que recebeu o prêmio Juan de la Cierva. Foi pioneira do Centro de Estudos e Investigação de Ciências Domésticas (CEICID). Mais tarde recebeu a medalha do Comitê Internacional da Rayonne et des Fibres Synthétiques, por um trabalho de pesquisa sobre fibras têxteis.

Como consequência de uma doença cardiológica, faleceu em Pamplona, com fama de santidade, no dia de Nossa Senhora do Carmo do ano de 1975, 20 dias depois da ida para o Céu de São Josemaria. Tinha 59 anos.

2. Por que a Igreja decidiu abrir o seu processo de canonização?

Porque aqueles que a conheceram em Espanha, no México e em Itália estão convencidos da sua santidade, quer dizer, da exemplaridade da sua conduta cristã. E muitos outros que tiveram notícias, depois da sua morte, da sua vida heroica, recorrem à sua intercessão diante de Deus para lhe pedir favores. O que dizem de Guadalupe as pessoas que a conheceram? Vou citar algumas frases:

– “Considerávamos uma pessoa extraordinária que sobressaia pelas suas virtudes”. “Deixou uma recordação de santidade inapagável”.

– “Transparecia que era filha de Deus e queria viver fiel à Sua vontade”.

– “Notava-se que estava enamorada do Senhor, cheia de profunda alegria que contagiava, só de olhar para ela”. “Tinha uma alegria transbordante, habitual; parecia que ao rir nos comunicava parte do Céu”.

– “Impressionava-me como se recolhia ao ouvir Missa e ao comungar todos os dias, quanto rezava e nos animava a rezar”.

– “O seu grande amor à Igreja fazia-a pedir diariamente pelo Santo Padre”.

– Trabalhou “unida ao Senhor, procurando amar e ajudar quantos a rodeavam, e com uma vibração apostólica que nem a doença conseguiu diminuir”.

– “Desejo a sua canonização porque a considero santa e creio que a sua vida é um exemplo importante para o mundo de hoje”.

3. O que significa este passo: que a Igreja tenha declarado a Guadalupe “venerável”?

Com este passo a Igreja declara que Guadalupe viveu as virtudes em grau heroico, especialmente a caridade, e, portanto, é proposta como exemplo de mulher cristã que se santificou na sua vida corrente. Esta declaração é o resultado de um longo estudo do abundante material recolhido pelo Tribunal de Madri no processo diocesano: os depoimentos das 54 testemunhas – homens e mulheres de vários países – numerosos testemunhos escritos e muitos outros documentos. Estas provas processuais foram avaliadas cuidadosamente, primeiro pelos consultores teólogos e, posteriormente, pelos Cardeais e Bispos da Congregação das Causas dos Santos. Todos chegaram à conclusão de que Guadalupe respondeu extraordinariamente à graça divina. Depois, o Papa Francisco ratificou o parecer da Congregação e declarou a heroicidade das virtudes e a fama de santidade de Guadalupe.

4. O Senhor estudou em profundidade a sua vida. Pessoalmente, o que é que mais o impressiona da Guadalupe?

O que mais me impressionou foi o “esquecimento de si” de Guadalupe. Pensava constantemente no Senhor e nos outros. Um exemplo é o que sucedeu no México, em 1952. Foi durante um retiro espiritual para estudantes universitárias, numa casa recém-construída e quase sem móveis. No penúltimo dia deu uma palestra sobre virtudes cristãs. Ela e as outras estavam sentadas no chão. Notou uma grande dor pela picada de um inseto venenoso, mas não quis interromper a palestra, para que não se preocupassem, e nenhuma percebeu o que tinha acontecido. Adoeceu com febre muito alta e teve que estar de cama uns quinze dias. Em nenhum momento se queixou. Mais, da cama continuou a fazer as suas tarefas até que outra mulher do Opus Dei a substituiu. As que a atendiam foram testemunhas, não só de que não se queixava nem falava da doença, mas que se interessava pelas que iam vê-la e impulsionava o trabalho apostólico.

O esquecimento de si mesma, unido à sua profunda vida espiritual, fez com que fosse um vulcão de iniciativas e de atividades para ajudar os outros, humana e espiritualmente.

Neste fato chamam também a atenção a sua valentia e fortaleza. Esta fortaleza forjou-se humanamente, em parte, durante o tempo que esteve em Tetuán – devido ao destino do pai, que era militar – numa escola em que ela era a única moça. A fortaleza e a fé de Guadalupe manifestaram-se de maneira admirável quando – com a mãe e o irmão, na noite de 7 para 8 de setembro de 1936, em plena Guerra Civil – acompanhou o pai, que ia ser fuzilado nessa madrugada. Foi Guadalupe quem o ajudou, sem uma lágrima, a rezar e a preparar-se para o encontro com Deus.

5. Que traços destacaria do caráter de Guadalupe?

Muitas pessoas que a conheceram sublinham a sua alegria transbordante, o seu sorriso habitual. Era acolhedora com todos. Transmitia paz e confiança a camponesas e a universitárias, a senhoras de qualquer nível social. A sua alegria não era fruto de um esforço humano, mas consequência de se saber filha de Deus, da sua intimidade com Cristo; quer dizer, um dom do Espírito Santo. Por isso, era constante e serena e isso facilitou consideravelmente o seu apostolado e o seu serviço à Igreja e à sociedade.

Uma jovem universitária, que conheceu Guadalupe no ano seguinte à sua chegada ao México, comentava: “Confesso que tinha curiosidade em a conhecer, porque todos me falavam do riso de Guadalupe, da sua alegria constante”. E o seu irmão Eduardo, descrevendo os seus últimos momentos, escreveu: “Este foi o grande “segredo” de Guadalupe: aceitar sempre como bom tudo o que lhe acontecia. À sua volta, naquelas horas de angústia mortal, todos ficaram admirados: o mesmo sorriso inesquecível”.

6. Se a sua vida foi relativamente normal, por que pensa que pode ser um bom modelo para os outros?

Precisamente por isso: porque a sua vida foi normal e ao mesmo tempo cheia de Deus, é um bom modelo para todos os cristãos, especialmente para os que estão chamados a santificar as circunstâncias correntes da sua vida no meio do mundo. Na sociedade atual, onde há quem queira impor o egocentrismo e o relativismo autorreferencial, a vida de Guadalupe é um convite esplêndido a abrir-se aos outros. O seu exemplo anima a sacudir a comodidade para se entregar ao serviço dos outros. Num ambiente pessimista, o otimismo de Guadalupe ajuda a sorrir. Numa sociedade que parece afastar-se de Deus, a figura de Guadalupe ajuda a descobrir que só com Cristo se pode ter uma alegria profunda e permanente.

7. Quais são os próximos passos para a beatificação e canonização de Guadalupe?

A declaração das virtudes heroicas é a conclusão de um estudo crítico, profundo, realizado à luz da fé, sobre a vida de Guadalupe. Além disto, para a beatificação e para a canonização, a Igreja pede algo que os homens não podem realizar. Só Deus pode fazer o milagre, concedido pela intercessão de Guadalupe, que abra a porta à beatificação. E só Deus pode realizar um segundo milagre, depois da beatificação, que abra a porta à canonização. Confiamos em que rapidamente se abra a primeira porta.

8. Há devoção popular? Que tipo de coisas pedem as pessoas a Guadalupe Ortiz de Landázuri? Há algum milagre atribuído à sua intercessão?

A devoção privada a Guadalupe está se estendendo cada vez mais. Muitas pessoas escrevem à postulação para comunicar graças que Deus lhes concedeu, após terem invocado a Guadalupe. Nos últimos 10 anos, recebemos relatos de favores provenientes de Espanha, México, Bélgica, Itália, Portugal, Lituânia, Quênia, Índia, Venezuela, Equador, Guatemala, Porto Rico, Estados Unidos e Canadá. Outra demonstração evidente da sua fama de santidade é que em Zamora – no Estado de Michoacán, no México – puseram o nome “Colégio Guadalupe Ortiz de Landázuri” a uma escola primária. Esta iniciativa foi promovida por algumas pessoas que leram a sua biografia e ficaram admiradas com a sua santidade, com o seu profissionalismo e com a sua dedicação ao ensino e à formação da juventude.

As pessoas que recorrem à intercessão de Guadalupe receberam graças muito variadas: curas, favores relacionados com a gravidez e o parto, obtenção de emprego, compaginar trabalho e família, resolução de problemas econômicos, reconciliações familiares, aproximação a Deus de amigos e companheiros de trabalho, etc.

Proximamente a Congregação das Causas dos Santos estudará a documentação sobre um fato extraordinário atribuído a Guadalupe. Trata-se da cura de um carcinoma baso-celular, na noite de 28 para 29 de novembro de 2002. O senhor que sofria deste câncer, localizado no olho direito, invocou Guadalupe com fé e intensidade antes de se deitar e, ao levantar-se, no dia seguinte, descobriu que estava curado: a lesão tinha desaparecido completamente e sem deixar quaisquer marcas. Os peritos médicos da Congregação terão que julgar se este fato tem ou não explicação científica. Posteriormente, os consultores teólogos e, mais tarde, os Cardeais e Bispos, avaliarão se pode atribuir-se à intercessão de Guadalupe diante de Deus.


5.Referências bibliográficas e digitais

Biografia

  • Mercedes Montero, En vanguardia. Guadalupe Ortiz de Landázuri, Madrid, Ediciones Rialp, 2019, 310 páginas.
  • María del Rincón e María Teresa Escobar, Cartas para um santo, 2019. E-book disponível aqui.
  • Cristina Abad Cadenas, Livre para amar. Guadalupe Ortiz de Landázuri, Lisboa, Editora Lucerna, 2019, 96 páginas.
  • Mercedes Eguíbar Galarza, Guadalupe Ortiz de Landázuri: trabalho, amizade e bom humor, São Paulo, Editora Quadrante, 2019, 320 páginas.

Folhetos

  • Amparo Catret Mascarell y Mar Sánchez Marchori, Se llamaba Guadalupe. Una mujer dedicada al servicio de los demás, Madrid, Ediciones Palabra, 2002, 31 páginas.
  • Mercedes Eguíbar Galarza, Guadalupe Ortiz de Landázuri, Palabra, Madrid, Ediciones Palabra, 2007, 77 páginas.
  • “Guadalupe Ortiz de Landázuri”, Ecclesia, Vol. LXI, No. 3078, 2001, página 1838.
  • Lucina Moreno-Valle y Mónica Meza, “Montefalco, 1950: una iniciativa pionera para la promoción de la mujer en el ámbito rural mexicano”, en Studia et Documenta: Revista del Instituto Histórico San Josemaría Escrivá, Número 2, Roma, 2008, páginas 205-229.

Informações em dicionários

  • José Martín Brocos Fernández, “Ortiz de Landázuri y Fernández de Heredia, María Guadalupe”, en Diccionario biográfico español, Vol. XXXIX, Madrid, Real Academia de la Historia, 2012, páginas 115-116.
  • Mercedes Eguíbar Galarza, “Ortiz de Landázuri, Guadalupe”, en José Luis Illanes Maestre [ed.], Diccionario de San Josemaría Escrivá de Balaguer, Burgos, Monte Carmelo - Instituto Histórico Josemaría Escrivá, 2013, páginas 926-927.

Artigos em revistas

Documentários

  • Multimídia Guadalupe, 2019.

Disponível em: https://opusdei.org/pt-br/article/multimidia-guada...

  • Seguindo os passos de Guadalupe no México, documentário, 2019.

Disponível em:

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Fotografias

Além disso, podem ser consultadas as 14 edições da folha informativa da Serva de Deus Guadalupe Ortiz de Landázuri publicadas pelo Departamento de Causas dos Santos da Prelazia do Opus Dei em Espanha.